domingo, 4 de dezembro de 2011

Caio da proibição

Eu te proíbo, Caio, do Outro. Eu te proíbo, Caio, de desatinar todos esses degraus de pele escama calcário quando achar que está forte porque

pensa na queda do outro e é nessa hora, Caio, tudo, que quando inevitavelmente – sim – cair – de novo –, Caio, que te verás sem roupa, sem corrimão, sem luz e então,

Caio, por não te proibir dos porões e das nuances que tateia displicentemente tão bem escuros e ainda assim tropeços

aí, Caio,

não me venha com essa tua cara amanhecida essa roupa limpa e esse ritmo de estorvo demente não me venha, vá, com mesuras que a culpa não é de ninguém nem minha senão tua e do nome como sempre como rasgo como

proíbo até a sua respiração

fora do prumo. Eu te proíbo, Caio. a queda que for a mesma nesga. Eu te proíbo Caio a carne que escapa do lábio o molho que pula do cílio o ritmo que dança no queixo a pálpebra que mima o ladrilho e te proíbo Caio da ressurreição que compromete o mito eu te proíbo Caio cair do rito do ricto e disso também que disfarça na rima o antes do dito

até a licença poética o furo da regra o prato a bebida a poesia é a ameaça vingada do que eu proíbo

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