quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Cartas a Ana XXXI (com quebras)
a antevisão da ausência, nítida.
Pelas linhas dos teus tecidos
circunscrevi o teu nu, trêmulo,
frio, pelos, dentes, seios, fome.
Só pelo teu perfil vesgo, Ana,
desenhei os nichos das suas verdades,
calquei-os nos teus poros e no movimento
falsete de tuas narinas – preso, como o medo,
sozinho.
Foi ali, e nunca mais depois,
que pude, que soube que não devia
interceptar o caminho do horizonte que os seus olhos rasgaram,
com sede, com receio, com uma desinência de espera
que eu não sei coar.
Ana,
eu devia ter recuado da janela, mas o ar que saía
suicídio dos teus lábios me fizeram pular,
inverter-me, praticar pesadelos.
E ali, exatamente no recanto iludido das tuas pálpebras,
ali, quando tua retina tombou tapando o restante do mundo,
como um quadril displicente na cadeira,
ali na escada de cílios da tua angústia,
eu perdi a referência do trajeto que me levaria
a qualquer parte que não o inferno.
Tive certeza do vão quando não
pude recuar. E agora, Ana,
como que amarrado na cor que sustenta o instante,
apregoo na parede dos meus becos essa tinta,
essa gosma,
esse inventário de imagens que sugam do teu olho.
Texto por Ana/Dheyne de Souza. As quebras em versos são por minha conta e risco.
O que gosto desta Ana, desta Dheyne em poemas/prosas (q prosa q nada!) de fôlego é a energia, a potência, quase mesmo que a violência do afeto feito palavras/lavas de lavar e larvar a alma: a potência do desespero e da não serenidade que encontra sua alegria neste ritmo largo e intenso, explosivo, nestas imagens cheias de margens inusitadas. Rastros violentos do afeto, e ainda assim tão líricos, tão delicados. Como você consegue Ana? Esta tua poesia coloca o leitor na posição daquele que te escreve, fazendo-o perder a referência do trajeto que o levaria a qualquer parte que não o inferno. Ah, mas que inferno, quem dera os infernos deste mundo fossem todos assim! Vida longa à Ana!
Wilton Cardoso
terça-feira, 10 de novembro de 2009
diálogos da meia noite iv
os artistas criam no aleatório. os artistas criam, inventam ao acaso. entre o fundo de acaso e um breve fulgurar de ordem os artistas instalam sua obra que oscila o sentido e ludibria os homens. a arte não representa nada, não imita nada, não estrutura nada, nem mesmo a si: é um relâmpago, uma descarga dos campos energéticos do desejo em cujo vórtice está o artista. (fa)
w – a qualidade literária é uma questão de gosto. ok, vamos por este caminho, então. como fica o novo? veja bem, o novo moderno é uma ruptura com o gosto antigo e a proposição de um outro gosto, um outro valor literário supostamente ainda não experimentado. o q quero saber é como o novo gosto, os novos valores literários acabam por conquistar o espaço do antigo gosto, acabam por conquistar o amor dos homens? como o novo gosto se impõe como o bom gosto?
zp – em primeiro lugar o próprio novo, a ruptura é um valor da modernidade. aliás, é o valor que a define (talvez ainda seja o valor fundamental de hoje, a diferença é que agora o novo, por ser cada vez mais buscado e experimentado, não tem mais o caráter de excepcionalidade e virou rotina: o novo não choca, não rompe e não tem o poder nem a ilusão de criar vivências alternativas, o q é um paradoxo, pois a ruptura é da natureza do novo. o novo sem (pelo menos a ilusão da) ruptura não é novo.) então, sendo, um valor, um gosto moderno, o novo é esperado e até exigido do artista. o gosto moderno está, digamos assim, predisposto ao novo.
fa – em segundo lugar, o novo moderno não opera, em literatura, desvinculado de estruturas relativamente estáveis no tempo. a continuidade de tais estruturas que são afetadas pelo novo, postas em crise pela novidade, garante que a novidade poética não seja absolutamente incomunicável (o novo absoluto é a incomunicabilidade).
w – que estruturas são estas?
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Sonho matinal
É nunca conseguir passar
Das 5 primeiras fotos do seu álbum
Sem me sentir mal...
Amor, talvez um dia seja
Conseguir ser a foto final.
.
Cartas a Ana XXXI
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Diálogos com o umbigo
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
mais
a cada mergulho
ir tão longe
a ponto de estar
mais perto do monstro
ninguém mais conhece
a face em ruínas
amanhece um outro
rosto que só
quer ir mais além
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Escrever sobre você
Tarefa difícil!
Pensei em por Marisa...
Mas, não queria ficar pra baixo!
Não que Marisa deixe pra baixo...
Mas, tudo que ela canta...
Bom...
Pus Elis, pra ficar mais Feliz.
[trocadilho besta!]
Peguei um copo de leite...
Pensando bem... Peguei o litro de leite!
E a negresco da vasilha.
Prendi meus cachos para cima...
Tirei o sapato apertado
Aaahhh...
Meus pés...
Chão frio.
Contato...
Relaxo. E sinto
A brisa suave brincando em minha nuca
Uhm... Acho que vou abrir a janela
Vento...
Brinca com o cacho
Que pouco a pouco se solta...
Negresco
Leite
Bossa nova
Chão...
Escrever sobre o que mesmo?
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Perfume
de uma ferida
Escorre gotejante
pelos poros puros
Um cheiro triste
silencioso olor
sabor de morte
Carniça
Cartas a Ana XXX
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Recordação
Ruído Branco é um par de significantes, e os significantes deslizam, ar modulado por cordas, enviado ao corpo do outro, ouvidadentro, raptando sentimentos informes, construindo outros. Entre um e outro ouvido, o som atravessa o silêncio intracrânio e envia-se para os desfiladeiros do corpo, e o corpo retorna sinais ao silêncio intracrânio, e de algum modo, esse par de significantes, ruído branco, som em si mesmo sem sentido, transforma-se numa experiência de sentido.
Di(per)versões eletrônicas: yoda/marx
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
diálogos da meia noite iii
fa – qualidade em relação a quê?
w – como?
fa – quando vc diz qualidade em literatura, quais seus critérios?
w – digamos: inventividade, densidade, intensidade
fa – culto ao novo, culto ao profundo, culto ao sujeito
w – densidade não é sinônimo de profundidade e a intensidade não implica num sujeito
Epílogos I
que tenha apenas sua água:
um corpo inumano
onde não haja abismos.
Da cor do dia sob o qual se deita,
quero o corpo quase um vidro:
clara carne onde trespassa a luz.
De terra e de bile,
ao lume da tarde meu corpo verdeja.
Ao pé da janela, em sépia,
o corpo contempla a vida que lhe falta.
(Aos poucos, em dourar sua opacidade
a mesma tarde lhe apaga
ao coroar-me em verdor
o mesmo lume me queima.)
Nenhuma água ou luz subterrâneas:
que tudo o que fosse estivesse ao dia.
Por transparente que não desbotasse,
não verdejasse caos porque inorgânico:
um corpo à margem do tempo,
feito de morte e pra não morrer.
(É a tarde, amarelando frutas, revoando risos.
A tarde, cauterizando o corpo
que roto, em mágoa, deixa escorrer
a escassa luz que guarda.
A tarde. Em qu’eu morra.
Que só o que é morto
está à margem do tempo.)
Novo
É novo
E talvez um pouco vazio de sentidos e sentimentos
Querer algo de sol
Neste canto rouco de pássara
Ardente de desejos obscuros
Indefinida de gêneros
E voar
Até se esquecer
Daquele inexorável casulo escuro
Porem quente e confortável
Achar que às vezes me saiu uma mariposa em vez de borboleta
Sentir
Algo de beija flor velho
Casado de bater as asas
Bebendo restos de arco-íris orvalho
Ser uma beija flores
Indefinida de gêneros
Ousar!
E querer o que ouso...
Voar!
Ou apenas meu pouso...
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Meditação transcendental
é difícil
mas
como eu quereria
parar de pensar
por um só instante
parar
de
pensar.
a quinta estação
uma coisa onde o tempo
deu defeito
f gullar
há um tempo a infância
ficou para trás
a juventude agora
fica para trás
chegará o tempo do adulto
ficar para trás
e o tempo em que tudo
ficará?
não, não haverá
tempo a ficar
sábado, 24 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Prelúdios Matinais II
No corpo impregnado de azul.
Extinta a cadência do azul subordinando o corpo.
Extinta a cadência do azul, subordinada ao pulso do corpo.
Extinto, o azul.
Disse mesmo, certeza.
E não. Ainda há azul.
Qu’ind'á cheiro do azul de teus olhos
soando fundo e úmido em meu corpo,
o cheiro do azul de teus olhos se transfigurando lento em manhã,
a lenta libertação do azul de teus olhos tingindo manhãs.
Úmido, o azul. Secas as manhãs que dele evolam.
Secas, claras, deu bicho solto e lúcido no mundo,
manhã deu bicho manso e perecível, perecível mundo.
E azul, imperecido azul.
Certo que de azul ainda há teus olhos.
E as manhãs. Secas.
Amanhãs.
Cartas a Ana XXIX
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Di(per)versões eletrônicas: versos de segunda (2 versões)
Infância
Cada coisa que faço
É caso certo
Não há distúrbio
É certo, é reto, jogral.
Paineiras no quintal da menina que conheci há muitos anos atrás.
É claro, nos anos vindouros foram outras meninas e depois moças e depois mulheres
e agora são meus sonhos que disturbam. Não havia distúrbios. Há agora.
Penso na padaria do José, que vendia rosca doce, na caderneta. Não vende mais.
Onde está?
Presta atenção na algazarra!
Tem meninos aos montes na prateleira da infância.
Eu era um deles. Não sou mais. Nem menos.
Prato branco esmaltado. Minha infância.
Abacate com açúcar no prato esmaltado.
Padre de igreja é careca e fala engraçado com fala engraçada.
Sentadinho na calçada alta esperando o pai ir vê-lo. Eu.
Era uma tristeza-alegria incomum ficar na deriva da dúvida se vinha ou não. As vezes ia, as vezes.
Violão em preto e branco.
Coragem para continuar na capacidade de ver perguntas onde só haveria perguntas.
Poema de google.
era uma vez uma menina que andava pelo nome de Lis
era uma moça já,
tinha em semblante o sorriso do mármore dos sonetos impecáveis e
se se pecava era pecado pequeno, nem conta.
Porque pecado guarda memória do imemorial, da não conta.
ao vestido de roda que anda com ela guarda a história da menina Lis que não é menina, que não é menina mais. e fosse..., mesmo não sendo, seria menina que não é mais.
hóspede e dona da casa que anda guardando e promovendo felicidade por onde anda e anda viu!?
e com esta pressa de viver fazendo as coisas e tantas coisas que se faz nesta vida, as vezes, mas só as vezes, esquece-se de como é terminar de fazer as outras coisas que ainda não foram feitas ou terminadas.
e se não foram, foram ao menos começadas que esta, às vezes, só às vezes, é mais importante que terminar.
continuar na escrita de palavras elas tendo o sentido que queremos ou não. substância.
O poema é conversa – mesmo no talk do google.
Lis Lemos: gostei muito dos poemas.
eu tenho tido mais vontade de escrever,
em compensação não tenho tido tempo.
gyannini: então não é compensação.
Lis Lemos: não, não sei o que é.
gyannini: é não compensação.
Lis Lemos: mas infelizmente, não tenho tido tempo de escrever
melhor assim?
gyannini: sim
melhor ou pior
deve ser pior
porque escrever é melhor
Lis Lemos: melhor a frase, não o sentido dela,
é ruim.
a prosa é poética quando é conversa.
trabalho
todo mundo
mãozinhas pro alto
todo mundo dançando/
rezando/cantando comigo"
todo mundo engolfado
na alegria da morfina
enquanto a banca enche
a pança de ouro e joga
sossegada o seu golfe
nos idílicos campos das verdinhas verdejantes
ó exu tranca-banca
de longa barba branca
e patriarca
caia sobre nosso inimigo
a vossa ira judia
e alemã
que todas as portas e ruas
e fluxos se fechem
para eles nada
de mais valia e nada
de ópio para nós
salve o mistério tranca-banca!
laroiê!!!
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
re arranjo azulado
a parede é azul
perfeito no ar
azul é gostoso
é meio e gasoso
eu como o mar
-
Que resolvi escrever isso aqui...
Além do mais tenho saudades
Que sempre vão além do orgulho
Saudades
Saudades
Saudades
Saudades
Saudades
Saudades
Orgulho
Saudades
Saudades
Saudades...
Ainda não passou...
Cinzas Extra Ou Mecanismo - Disfarce de despedidas 1
já não se articulava o seu silêncio
como uma pinga ao mel depois de tantas outras
ou trave
que ao céu decanta pássaros de polens
mascando a vida como masca o vento
dentro de uma caixa ou de outro vento.
Se caixa
a solução seria a inexistência,
os timbres do azul nos trítonos dos astros
despétalas de envolvência em seu nenhum semblante
e quando chorarmos
a lágrima seja um ser de só mistério
água que escapou do nunca
sem mágoa.
Se vento
a solução é este poema:
estátua do tempo ao céu que não existe.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Di(per)versões eletrônicas: oração...
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Entre dois mundos
canção imersa na tarde
bilhões de galáxias no céu
bilhões de pessoas na terra
zilhões de estrelas e átomos
e esta chuva branca
derramada pelo céu escuro
na tarde cinza
o balde vermelho
uma área por lavar
uma casa
entre milhares da cidade
a vida feita da profusão
de cenas cotidianas
a vida feita de sonhos
e resignações da vigília
a vida
feito de infinitos
acasos
domingo, 18 de outubro de 2009
Metalinguagem (299!)
Me vem o poema
Pé ante pé
E me diz como quer ser escrito
Às vezes
Me vem o poema
Veloz como o infinito
E se joga no papel, já dito.
Às vezes
Me vem o poema
Triste como fardo envelhecido
E sai de mim vomitado, aflito..
Às vezes
Me vem um poema como este
Um tanto desbotado
Esquisito...
.
Cartas a Ana XXVIII
sábado, 17 de outubro de 2009
Di(per)versões eletrônicas: muda
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
diálogos da meia noite ii
fa – um sistema literário é confortável pra vcs
w – em que sentido
fa – um sistema organiza os textos e os autores. diz, em primeiro lugar, o que é e o que não é literatura, i.e., organiza os limites do sistema. depois, o que é considerado literatura é organizado numa escala de qualidade que vai dos diluidores, passa pelos inventores e culmina nos mestres, semi-deuses do sistema
w – e os leitores?
fa – estes também são hierarquizados basicamente num campo que vai da ralé (leitor comum ou gado), passa pelos leitores mais eruditos e inteligentes (ou que têm algum poder de fogo sobre a massa, como editores, jornalistas, professores e artistas em geral) e culmina nos críticos e teóricos. aliás nesta última categoria há também uma hierarquia parecida com a dos escritores
Engenharia do amor ou Numa aula de física
Assim funciona meu amor
Nossos atritos, nossas culpas
Num bem mal me quer de dor
Nossos corpos diferentes
Condutos e isolante
Quando penso que me ama
Vejo seu olhar distante
Eletrizados por contato
Mas é neutra sua esfera
Só depois que descobri
És ligado ao fio terra
Como posso transformar
O teu lado negativo
Pra que não repulse o meu
E me torne seu cativo?
Entre nós não há contato
Talvez tente indução
Condutor e isolante
Esse nosso coração
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Sobre a figuração poética em "Alone"
O amor me é, tantas vezes, a imagem fétida que uiva unhas. Quem simboliza as lembranças com gestos entende que só se escreve sobre o que não transborda. Sobre os gestos existem as entrelinhas. Sob as lembranças um pássaro: desolado.
Quatro canções para Lara
Quase sem querer esbarrei,
parecia de cristal,
era pedra preciosa, presumi.
Tinha no rosto a marca do não acontecido,
do não lugar.
O caminho que se anda é por nada pedreira.
Maçã de branca de neve no outono brasileiro.
Foi veneno.
Inverno.
Um Pulo
Tive por vezes muitas razões e tão poucas vezes chance.
Não parece, ainda, que estou feliz, mas é um passo
daqueles onde existe o despenhadeiro a sua frente,
e um passo e pronto.
Um Salto
O Colibri de meus sonhos narra minha história em píus,
em cantigas inofensivas de pequenos voadores.
quero um dia voar,
bater asas,
saltar,
saltei sem rede e minha asa escureceu.
Outro Salto
Saltei de novo, outro dia.
Tive a surpresa de poder pelo menos duas vezes bater as asas,
sou pescador de vôos agora,
tenho minha rede de proteção,
mesmo que ela, ainda, não tenha tido
a paciência de voar junto.
Gyannini Jácomo
terça-feira, 13 de outubro de 2009
diálogos da meia noite
fa – era uma ilusão
w – o que era ilusão?
fa – a objetividade em literatura
w – ora, nunca houve objetividade em literatura
fa – claro q houve, sempre houve, por milênios ouvi certezas sobre a grandeza de fulano e a mediocridade de beltrano. até no século xx: o que vc acha q é a hierarquia de ezra pound?
w – os inventores, mestres e diluidores?
fa – sim, isto é uma escala objetiva de qualidade, uma certeza sobre a qualidade literária, uma certeza de q se pode medir o grau de grandeza dos poetas ao longo das eras
Lição de poesia
Me diz a própria palavra
-- Não dependa de pessoas e aprenda a ser só.
E como um infanto-aprendiz
Me resigno a ouvir
Absorver
-- Tenha cuidado com o que dizes e, de preferência, não diga.
Continua sua lição...
-- Palavra lançada não pode voltar e é esta sua missão.
-- Limite-se a escrever e faça disto seu castelo.
E se retira, tão silenciosa quanto veio
Palavra silenciosa...
Me ponho a pensar...
Então a própria palavra quer me calar?
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
cortinas :de poesia
da noite: crepitam os sonhos
quando
escuros são
os ossos: dos
desejos.
O encanto: das palavras:
Torna-se algo
antigo.
Outra é a lua: na pele
uma nova espera: novo sol.
Os olhos possuem cortinas
:de poesia.
As lâminas escrevem vozes.
Na carne: em silêncio
a vida é como uma
cicatriz: silenciosa.
domingo, 11 de outubro de 2009
Lembranças de Caeiro
saudei o sol, mas se por acaso eu o vir
de novo pedirei para anoitecer:
mais nada.
sábado, 10 de outubro de 2009
de frias paisagens

Quebro agora chuvas: com as asas encharcadas.
Aprendiz de feiticeiro
Na escura noite me dizimam
E me mostram que na vida
É melhor saber
Que nada sei
Sonho e esperança
São loucuras de criança
A falsa ilusão da vida tão bela
Escrevo pra quem lê
Mas me importo com quem entende
Cade tu que foste embora
E sozinho me deixou
Disseste: Não é hora
Sozinha com quilos de amor
Grandes poetas dizem
Que escrevem por vingança
Fantasiam coisas belas
Pois não sabem ser criança
Não sei escrever como Clarice
Ou rimar como Drummond
Tão longe de Vinícius
E tão perto do coração
Poesia é emprego
Pra quem não tem legado
Poesia é desespero
Pra quem está desempregado
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
poenergia de ocasião
(engenheiro visionário outsider)
o farto sol (raro
acima dos trópicos)
dorme na massa vegetal extrema
mente abundante nos trópicos
a energia mais barata e limpa
e potente que se pode
e não se usa
por que não
USA?
POÉTICA
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Ameaça
O olhar dos loucos
O sentimento de absolvição
Apenas quer ser aceita
Apenas protege aos poucos
A vinda dolorosa do não
Traz em si o fardo da diferença
Trago a ti minha cândida inocência
Derramo tudo ao chão
E assim, seu segredo mal escondido
Agora mal revelado
Escorre-lhe pelas mãos
poeta virtual
na carne do papel
poeta virtual
é poeta virgem
que ninguém respeita
neste mundo hedonista
condenação cristã
moça tem que casar
poeta que publicar
sangue no lençol
tinta no papel
a vida tem que viver
pra deus purificar
a marca do pecado
deixa a vida na mão
jogando a vida em vão
nas redes da ilusão



